Prezado Leitor,

Estou sendo abordado constantemente por pessoas com muitas dúvidas a respeito do cenário econômico atual do país, e os motivos para tais indagações são bastante claros.

Selic caminhando para 4,5% ao ano , índice da bolsa acima de 100.000 pontos, inflação em torno de 3% ao ano. Toda esta mistura estão levando as pessoas que querem investir a loucura. Quem tem algum dinheiro para aplicar está se perguntando: O que fazer diante do cenário econômico atual?

Existem muitas coisas a serem feitas e eu elencarei algumas aqui, o que tenho que deixar claro é que não conseguirei abordar todas as situações, porém o senso comum das dúvidas tentarei cobrir com estas linhas a seguir.

Primeira coisa que quero deixar claro é: A época da renda fixa no Brasil chegou ao fim. Isto mesmo leitor, acabou o dinheiro fácil e sem risco que tínhamos aqui. Para quem poupava só em renda fixa uma triste notícia e para o País uma ótima.

Vamos a um exemplo do fim da renda fixa: Suponha que você tenha aplicações em renda fixa R$ 1.000,00 rendendo 100% do CDI ao ano. No resgate após 1 ano aplicação, você terá a seguinte resultante:

Hipóteses: 4,5% CDI ao ano; 20% imposto de renda (IR); Inflação 3% ao ano

Cálculo:

1.000 x (1+4,5%) (SELIC ou CDI) = 1.045

1.045 x (1-0,2 (IR)) = 1.036

1.000 x (1+ 3%) (Inflação) = 1.030

Ganho Real = 1.036/1.030 = 1,0058 (0,5% ao ano)

Você não leu errado, neste cenário você vai ganhar 0,5% ao ano de crescimento real do seu dinheiro, em outras palavras você vai deixar R$ 1.000,00 parado por um ano e vai ter de retorno liquido da inflação de R$ 6,00. Assustador não?

Não estou aqui condenando a renda fixa no Brasil, até porque acredito que ela tenha papel estratégico em um portfólio diversificado, como moderador de volatilidade de portfolio. Não obstante, existe também a possibilidade de ter investimentos em renda fixa com rentabilidade bem superiores aos 100% do CDI, associando alguma carência para o resgate do dinheiro. O ponto aqui é que como ocorria no passado, no qual as pessoas somente viviam dos juros ganhos nos investimentos de renda fixa acabou.

Os perfis de riscos utilizado no no mercado financeiro para definir investidores em, conservador, moderado ou agressivo, deverão mudar as proporções hoje existentes no Brasil, caso isto não ocorra os conservadores estarão fadados aos ganhos acima descritos e tenderão a não ter aumento do poder de compra do seu dinheiro ao longo dos anos.

Chegou o momento do investidor buscar conhecimento sobre a dicotomia “Riscos vs Retorno”.

Aqui faço algumas ressalvas aos marinheiros de primeira viagem.

Vivemos no Brasil e aqui existem perigos eminentes nos momentos de desconhecimento e incertezas, pois a busca por melhores ganhos financeiros abre espaço para oportunistas e suas promessas de ganhos inigualáveis que seduzem uma boa parcela dos poupadores, dragando seus investimentos suados para aplicações como criptomoedas, piramides financeiras, marketing multinível e por ai vai…., não caia nesta.

Voltando ao risco vs retorno verdadeiro, o seu foco deverá estar no aprendizado sobre veículos de aplicação financeira que trazem na sua composição elementos de riscos como cambio, bolsa de valores, opções, inflação, imobiliários, derivativos, índices de preço e índice futuro de bolsa, a totalidade ou parcialidade destes elementos deverão fazer parte da sua realidade a partir de agora.

Caso você não tenha tempo para tal dedicação e aprendizado ou mesmo não goste do tema, terá que terceirizar estas escolhas a um profissional de mercado financeiro e aqui também mora um outro perigo que é modelo de remuneração dos assessores de investimentos hoje no mercado e o resultado das escolhas deles baseados não no seu interesse e sim nas maiores comissões pagas pelas empresas de investimentos… fique atento a isto também.

Navegar neste mar de incertezas e desconhecimento não é fácil e assustará inicialmente. Contudo, diante do fim da renda fixa algum risco terá que ser tomado nesta nova realidade de mercado, e por isso é importante estar atento as armadilhas citadas acima.

Vamos voltar para o que fazer com seu dinheiro, e quais são as estratégias possíveis de serem implementadas.

A primeira estratégia que acredito agregar valor ao investidor é sobre bolsa de valores. Aqui cabe o primeiro contraponto, você não compra índice de bolsa e sim ações de empresas listadas nela, sendo assim mesmo que o índice ultrapasse os 100.000 pontos, ainda existem muitas oportunidades de ganhos em empresas sólidas e de boa reputação na bolsa.

O segredo será garimpar estas oportunidades, e o primeiro bom caminho neste processo é buscar informações em relatórios profissionais de investimentos oriundo de casas sérias que produzem e vendem assinatura mensais aos investidores. Este mercado no Brasil cresceu bastante e temos boas empresas que fazem este trabalho de pesquisa com bastante seriedade e riqueza de informações. Sendo assim, bastará você ler os relatórios e decidir o que fazer, e aqui outra dica, como ir ao médico que te recomendam uma cirurgia, vale muito uma segunda opinião, ou seja, não acredite inicialmente em uma opinião, o ideal é ler vários relatórios de diferentes casas e assim formar a sua própria opinião e convicção de investimento. Olha que estou aqui fazendo propaganda de graça para estes caras e eles nem leem meus artigos no site, mas meu intuito é te ajudar e não a eles. E como em qualquer atividade mercantil existem as boas e as ruins casas de research, tente focar suas escolhas nas boas.

Tendo em vista que você não terá discernimento para escolher inicialmente as boas, assine temporariamente pelo menos umas três casas e depois vá cortando as que não te agregaram informações úteis. Este conhecimento será ganho por experimentação, não terá jeito.

Apêndix: Para os investidores que tem uma preocupação sobre sustentabilidade, existe um índice que lista as empresas que são sustentáveis e na qual se pode investir seu dinheiro, ou seja, o melhor de dois mundos. link aqui http://www.b3.com.br/pt_br/noticias/ise-2018.htm pesquise sobre estas empresas nos relatórios de investimentos, caso isto seja relevante para a sua decisão de investimentos.

A segunda estratégia é voltada para os fundos de investimentos que tem renda variável na sua composição e aqui cabem dois tipos distintos a serem destacados: Os Fundos Multimercados e os Fundos de Ações, vamos detalhar cada um deles a seguir.

Fundos multimercados são investimentos que em sua composição apresentam algum tipo de ativo diferente de renda fixa, geralmente ações, cambio e derivativos, visando uma performance superior à renda fixa. Geralmente o objetivo destes fundos é superar 100% de CDI e as escolhas feitas pelos gestores visam atingir estes objetivos traçados. Alguns fundos tem boas performances e no longo prazo entregam valor ao investidor, porém alguma oscilação de rentabilidade é esperada no meio do caminho e você deverá ter resiliência nestes momentos e não mexer no dinheiro quando a performance mensal não for das melhores. Quero destacar um ponto importante na escolha destes fundos, fique atento as taxas de administração, de performance e de saída. A incidência conjunta destas podem na prática deteriorar seu patrimônio, logo não olhe somente o histórico de performance (passado não garante futuro), como também as menores taxas citadas ou isenção delas, pois sem atenção a estes itens seu dinheiro poderá ficar na mão do gestor do fundo.

Fundos de Ações são investimentos voltados a performance sobre aplicações em ações pelo gestora ativa do fundo. Aqui 100% dos recursos estarão destinados a compra de ações e isto por definição traz uma maior volatilidade para o retorno financeiro do fundo, por isso é importante também ter resiliência aqui, talvez até maior do que nos investimentos multimercado. Nesta modalidade pensamento de longo prazo é fundamental para se gerar algum valor a você investidor, sendo assim o segredo estará na sua paciência de esperar o investimento maturar.

Os mesmos cuidados sobre as taxas praticadas pelos gestores multimercados valem para os fundos de ações, a regra não muda, menos taxa é mais dinheiro no seu bolso.

Em termos de despêndio de tempo, a segunda estratégia te dará mais tranquilidade de não ficar acompanhando constantemente o mercado financeiro e você poderá voltar seu tempo para a sua atividade principal. Entretanto, isto não significa largar o investimento lá e esquecer, pois quaisquer mudanças que os gestores façam podem trazer impacto nos seus investimentos e você deverá decidir se vai continuar ou não com estas aplicações ou se deve procurar outro fundo e outros gestores.

Diante de tudo que foi dito, a vida de quem investia em renda fixa ficou muito mais difícil e agora o trabalho de investir demandará mais tempo e informações. Sendo assim, avalie todos os aspectos citados antes de tomar suas decisões e veja onde colocar seu dinheiro.

O último ponto que trago para quem iniciará nesta jornada de risco vs retorno é começar pequeno. Não acredite que seus conhecimentos serão superiores aos do mercado e que seu intelecto é muito mais desenvolvido que o dos demais agentes de mercado, e por isso você colocará todas as suas economias naquela ação daquela empresa que te retornará um ganho extraordinário. Calma no inicio e inicie tímido, pois as aleatoriedades do mercado são muitas vezes incontroláveis e os movimentos tidos como certo pode não acontecer e ai sua tese de investimento pode não dar em nada ou até mesmo desvalorizar fortemente. Pense sempre em quanto você estará disposto a perder antes de pensar em quanto se poderá ganhar.

As escolhas de agora moldarão a sua vida daqui a alguns poucos anos.

Boas escolhas!

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